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Estatísticas de automação de atendimento ao cliente em 2026

99% das empresas usam automação no atendimento e só 23% otimizam com dado de conversa. Os números de 2026, com fonte, metodologia e leitura para o Brasil.

Equipe Briggs
15 de setembro de 2026
11 min de leitura

Resposta curta

Em 2026, 99% das empresas de contact center pesquisadas usam alguma automação no atendimento ao cliente, mas só 23% dizem estar altamente automatizadas e otimizando essa automação de forma consistente com insight de conversa. Nenhum tipo de interação é automatizado por mais da metade das empresas, e apenas 24% descrevem como muito positiva a experiência que o cliente tem com os canais automatizados.

Os dados vêm do CX Landscape Report 2026, pesquisa da Vanson Bourne encomendada pela CallMiner, com 700 decisores de contact center e CX entrevistados em maio e junho de 2026 nos Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda, França, Alemanha e África do Sul. Nenhuma operação brasileira foi ouvida.


Adoção de automação no atendimento

Indicador Valor
Empresas com alguma automação no atendimento 99%
Empresas que se consideram altamente automatizadas 63%
Altamente automatizadas e otimizando com insight de CX 23%
Altamente automatizadas, sem otimização consistente 40%
Automação implementada, porém limitada em escopo 29%
Automação em estágio inicial 6%
Empresas que implementam IA em iniciativas de CX 96%

A distância entre os 63% que se dizem altamente automatizados e os 23% que também otimizam com dado é o que a pesquisa mede de mais relevante. Automação virou padrão de mercado. Automação guiada por inteligência de conversa, não.


O que está automatizado hoje

Tipo de interação Empresas que automatizam
Atualização cadastral 47%
Resolução de problema ou troubleshooting 47%
Agendamento 47%
Dúvida sobre status de pedido ou serviço 46%
Pedido de informação sobre produto ou serviço 45%
Cobrança e pagamento 37%
Devolução, cancelamento ou alteração de pedido 33%
Reclamação ou escalonamento 33%

Nenhuma linha passa de 50%. A automação está espalhada por muitas jornadas em vez de concentrada em um conjunto comum de casos prioritários, o que indica ausência de critério compartilhado sobre o que vale automatizar. O critério possível está em o que automatizar no atendimento ao cliente.

Vale reparar em duas linhas. Resolução de problema, a interação mais variável do conjunto, aparece em 47%. Reclamação e escalonamento, a mais sensível, aparece em 33%.


Por que as empresas automatizam

Motivo declarado Parcela
Administrar volume crescente de interações 46%
Atender à demanda por melhor experiência do cliente 46%
Reservar o agente humano para interações complexas ou de risco 40%

E o critério de escolha do que automatizar:

Critério priorizado Parcela
Dado de cliente, feedback ou insight de CX 71%
Custo, eficiência ou redução de capacidade 67%
Volume ou frequência da interação 63%

Os três critérios convivem, e o próprio estudo registra o peso real dessa convivência: 76% concordam que a automação é implementada com base em metas internas, e não na necessidade do cliente.


Uso de dado de CX

Indicador Valor
Empresas que coletam algum dado de CX 100%
Média de tipos de fonte coletados por empresa 4
Usam processo automatizado para analisar dado de CX 66% (era 53% em 2025)
Dizem que não aproveitam o dado de CX da melhor forma 68% (era 62% em 2025)

As fontes coletadas, em ordem:

Fonte Parcela
Dado operacional das interações 59%
Pesquisa pós-atendimento 56%
Dado de performance das interações automatizadas 55%
Transcrição de conversa 50%
Menção e monitoramento em redes sociais 48%
Feedback no momento da interação 48%
Avaliação em sites de review 45%
Entrevista ou grupo focal com cliente 42%

E onde o insight é efetivamente usado:

Uso Parcela
Melhorar satisfação, lealdade e retenção 42%
Identificar e resolver problemas antes que escalem 38%
Melhorar a performance das interações automatizadas 30%
Decidir quais interações devem ser automatizadas 22%

O detalhamento desse bloco está em como usar os dados do atendimento para melhorar o CX.


Como o cliente avalia o canal automatizado

Avaliação declarada pela empresa Parcela
Muito positiva 24%
Majoritariamente positiva 50%
Mista 20%
Majoritariamente negativa 4%
Muito negativa 1%

Cortando o resto da pesquisa por esses grupos, aparece a maior separação do estudo:

Grupo Altamente automatizado e otimizado com insight de CX
Experiência muito positiva 49%
Experiência majoritariamente positiva 18%
Experiência mista ou negativa 8%

Quase metade contra oito por cento. A diferença não está em quanto se automatiza, e sim em usar o que a interação devolve para corrigir a interação seguinte.


Humano e automação

Indicador Valor
Dizem que o agente humano agrega mais valor que a IA em pelo menos um tipo de interação 95%
Escalam para humano em pelo menos metade das vezes (média entre jornadas) 73%
Média de escalonamento nas empresas com experiência muito positiva 76%
Média de escalonamento nas empresas com experiência mista ou negativa 68%

Quem entrega a melhor experiência automatizada escala mais, não menos. O detalhamento está em quando o chatbot deve transferir para um atendente humano.


IA aplicada ao agente

Indicador Valor
Usam IA em pelo menos um caso de uso voltado ao agente humano 85%
Acreditam que a IA melhora a capacidade do agente de exercer a função 99%
Assistência em tempo real ao agente 48%
Liberar tempo do agente para tarefas mais estratégicas 47%
Treinamento e coaching 41%
Concordam que a IA será chave para destravar o potencial dos funcionários 85% (era 96% em 2025)

A queda de 96% para 85% na última linha é um dos poucos recuos do estudo, e aparece junto com o aumento de dois medos: falta de conhecimento técnico para gerir IA (30%, contra 22% em 2025) e IA tomando o emprego de quem responde (28%, contra 19%).


Medos declarados sobre IA em CX

Medo 2026 2025
Dar resposta errada ao cliente ou espalhar desinformação 52%
Expor a empresa a risco de segurança ou de compliance 47%
Arriscar ou danificar a reputação da marca 42%
Resposta enviesada, discriminatória ou inadequada 38% 52%
Não ter conhecimento técnico suficiente para gerir IA 30% 22%
A IA tomar o meu emprego 28% 19%

No total, 91% relatam algum medo em implantar IA em CX, contra 95% em 2025. O tratamento de cada risco está em riscos da IA no atendimento ao cliente e como mitigar.


Modelo de implantação

Abordagem para implantar IA em CX 2025 2026
Totalmente com fornecedor terceiro 51% 36%
Híbrido 42% 45%
Totalmente interno 6% 17%

Cruzando com maturidade, o resultado contraria a expectativa: entre quem usa só fornecedor terceiro, 30% são altamente automatizados e otimizam com insight, contra 21% no híbrido e 17% no totalmente interno. A leitura possível está em desenvolver internamente ou contratar fornecedor.


Recorte por setor

Setor Altamente automatizado Otimiza com insight de CX Experiência positiva
Tecnologia 70% 29% 78%
BPO 69% 21%
Saúde 80%
Serviços financeiros 77%
Varejo 48% 17% 62%

Saúde lidera experiência positiva (80%) e está entre as que mais escalam para humano (75% na média entre jornadas, atrás apenas de BPO com 89%). O recorte completo, com a leitura para operadoras brasileiras, está em IA no atendimento por setor.


Como ler esses números no Brasil

A pesquisa não ouviu operação brasileira, e aqui a camada regulatória define parte do que lá é escolha de produto.

O Decreto 11.034/2022 exige canal com atendimento humano no SAC e fixa prazos de guarda para gravação e registro, tema de prazos de guarda de gravação e registro. Em saúde suplementar, a RN 623 trata de protocolo e rastreabilidade em todos os canais, inclusive os automatizados, assunto de protocolo integrado multicanal. Em cobrança, o horário e a forma do contato têm limite legal, detalhado em horário de cobrança por telefone.

O efeito prático é que a métrica de contenção, sozinha, tem menos valor aqui. Um bot que contém a reclamação sem oferecer caminho para humano produz indicador bonito e exposição regulatória.


Metodologia

Foram 700 decisores seniores de departamentos de contact center e CX, entrevistados online em maio e junho de 2026: Estados Unidos (250), Reino Unido e Irlanda (125), França (125), Alemanha (125) e África do Sul (75). As empresas precisavam ter contact center, cem ou mais funcionários no mundo, e pertencer a saúde, serviços financeiros, tecnologia, varejo ou BPO. Comparações com 2025 excluem BPO para manter a base comparável. O indicador de implantação de IA foi reformulado em 2026 e não é diretamente comparável com anos anteriores.

Pesquisa conduzida pela Vanson Bourne e publicada pela CallMiner como CX Landscape Report 2026.


Perguntas frequentes

Quantas empresas usam automação no atendimento ao cliente? 99% das 700 empresas pesquisadas em 2026 usam automação em alguma parte do atendimento, incluindo chatbot, voicebot, URA, autosserviço e automação de fluxo.

Qual a diferença entre automatizar e otimizar a automação? Automatizar é colocar o fluxo no ar. Otimizar é usar o que as interações devolvem, como contenção, fallback, abandono, escalonamento e o conteúdo da conversa, para corrigir o fluxo de forma recorrente. 63% declaram o primeiro, 23% declaram os dois.

Qual interação é mais automatizada? Atualização cadastral, resolução de problema e agendamento empatam em 47%. Nenhum tipo de interação passa de 50% de adoção.

Automatizar reduz a necessidade de agente humano? Na média das empresas pesquisadas, 73% escalam para humano em pelo menos metade das vezes, e 95% dizem que o humano agrega mais valor que a IA em pelo menos um tipo de interação. As empresas com melhor experiência relatada escalam mais que as com pior experiência (76% contra 68%).

Esses dados valem para o Brasil? Não diretamente. A pesquisa cobre Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda, França, Alemanha e África do Sul. Servem como referência de mercado maduro, e a leitura brasileira precisa somar as exigências do Decreto do SAC, da ANS e da LGPD.

Quem publicou a pesquisa? A pesquisa de campo foi conduzida pela Vanson Bourne e publicada pela CallMiner no CX Landscape Report 2026.


A série completa

  1. Estatísticas de automação de atendimento ao cliente em 2026 (este texto)
  2. Como usar os dados do atendimento para melhorar o CX
  3. Métricas de chatbot e URA além da taxa de contenção
  4. Quando o chatbot deve transferir para um atendente humano
  5. O que automatizar no atendimento ao cliente, e o que não
  6. Silos de dados no atendimento: do insight à decisão
  7. Riscos da IA no atendimento ao cliente e como mitigar
  8. IA no atendimento: construir ou contratar fornecedor
  9. Copiloto de IA para agentes de atendimento
  10. IA no atendimento por setor: saúde, bancos, varejo e BPO

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